[opinião] O Caseiro (2016)

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Convido ao raciocínio: passamos por um momento de reconstrução social de mudança de algumas ideias que começamos a entender como incorretas, por isso decidimos criar cotas em diversos meios sociais, seja faculdades, concursos públicos, filas diversas, compras de bens, entre tantos outros exemplos. Os beneficiados são as minorias, que em sua história carregam o preconceito dos mais beneficiados.

Este contexto traz uma ideia de que algo está em reconstrução, como um muro construído torto e que caiu, e agora alguns pilares são necessários para mantê-lo em pé. É neste cenário que podemos discursar sobre O Caseiro. Sua obra contém vários e inegáveis problemas, uma produção muito baixa e que não consegue contornar sua dificuldade, atuações muito contestáveis, principalmente as mirins que causam desconforto recorrente e tiram a imersão da história, entre outros.

Mas, se você chega neste filme, brasileiro, de terror, você já quebrou várias barreiras anteriores, seu preconceito é menor, você é alguém mais iluminado, e sua aposta é óleo para a engrenagem quase enferrujada do cinema brasileiro.

Tento dizer isso, porque é inevitável ver o filme sem entender este contexto histórico das produções nacionais, que caminha como um recém nascido dos anos noventa em diante e que buscam, com muita dificuldade e raro incentivo financeiro e de divulgação cultural, um lugar ao sol na impiedosa comparação com produções do exterior.

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Hoje no cardápio temos um filme brasileiro pra crescer fortinho.

Vendo o filme, você se depara com vários clichês do terror, que incomodam sim, um balanço, uma boneca, um objeto amaldiçoado, etc, mas traz uma história envolvente sobre uma família composta por um pai e três filhas, que busca entender mistérios recentes na casa e seus membros, algum tempo depois da morte do caseiro da propriedade.

Se fosse para lhe indicar bons filmes do gênero, com certeza este não estaria incluso, mesmo que fosse uma lista extensa, porém no cenário nacional ele desperta como mais um exercício positivo, sobretudo no renegado terror brasileiro, que muita gente acha que até nem existem produções, porque encontrá-las dá certo trabalho e não caem no colo de ninguém.

Mas, você vê filme brasileiro? Já viu alguma produção do terror nacional? Sem julgamento e pretensões enormes, assistir O Caseiro com certeza não lhe fará ao menos pensar que foi um tempo perdido.

NOTA 5.3/10

Ficha técnica:

País: Brasil

Ano: 2016

Atores: Bruno Garcia, Leopoldo Pacheco

Diretor: Julio Santi

Duração: 1h29min

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

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(Lista) 5 filmes interessantes com Nicolas Cage.

Sim, você leu o titulo desse post certo e eu não estou delirando ainda, vou falar bem de….   Nicolas Cage, esse ator mitológico de Hollywood que ultimamente tem feito papéis, no mínimo questionáveis, mas vamos aos filmes:

5- Kick Ass: Quebrando tudo (2010)

Quem assistiu o filme e gostou, deve estar se perguntando porque apenas a quinta posição,  pois o filme é muito bom, mas o fato dele estar “apenas” na quinta posição é que Nicolas Cage faz no filme é papel secundário, não chega nem a ser um coadjuvante, sua atuação não é nada espetacular, até é um muito Nicolas Cage, com aquela história de “Preciso proteger minha menininha” (Pense nisso imitando a voz dele), mas cumpriu seu papel de forma efetiva no papel de Big Daddy, que aliás sua função como personagem nesse filme era exatamente proteger sua menininha, mesmo que ela não precisasse de muita proteção, além dele orquestrar uma vingança, no mínimo violenta e sanguinária. Detalhe, em 2010 a carreira dele já estava em decadência. Provável que a melhor cena do filme em que ele atuou seja a cena abaixo:

4-Con Air: A Rota da fuga (1997)

Ok, esse é um dos meus filmes prediletos. Como já disse aqui em outras postagens, fui criado vendo os Bruce Willis da vida, Arnaldão Schwarzeneggerzão da vida, Stallonezão da vida… enfim, entenderam e justificado o fato de gostar desse filme, certo leitores?

Imagine um ex-militar que foi preso por matar um cara numa briga de bar para defender sua esposa, ser transportado de avião com os criminosos perigosos o suficiente para terem uma série só deles na netflix… e eles decidem tomar o avião, mas para o azar deles, o ex-militar e bom mocinho estava la. O filme é sim interessante, e tem nota 6.8 no IMDB e conta também com John Cusack e John Malkovich, vale a pena conferir.

3- 60 segundos (2000)

Poderia dizer que é um filme daqueles clássicos que passam em filmes de carros, junto com o “Velozes e Furiosos”. Sim, eu gosto desses filmes…

Nesse filme, Cage é Memphis Raine, um ladrão de carros aposentado que é forçado a voltar a ativa para salvar seu irmão, também ladrão de carros, mas um  péssimo ladrão , diferente de seu irmão (família boa essa). E nessa história toda e ele é forçado a roubar 50 carros raríssimos em pouco tempo. Filme conta com Angelina Jolie e tem nota 6.5 no IMDB:

2- O senhor das armas (2005)

O filme, como título já fala, trata de tráfico de armas, e nosso mito é o personagem principal, o traficante Yuri Orlov, que roda o mundo vendendo armas para os piores seres vivos da terra, enquanto possui uma vida milionária nos Estados Unidos. Filme conta com Jared Leto e tem nota 7.6 no IMDB:

1- Cidade dos Anjos (1998)

Ai você leitor diz, o cara diz ser criado assistindo “Exterminador do Futuro”, “Duro de Matar”, “Máquina Mortífera” e bla bla bla, mas gosta desse filme mamão com açúcar e mel???? Simmmm é a minha resposta. Nesse filme achei interessante demais a ideia de um anjo se apaixonar por uma humana e fazer ele repensar sua existência divina para a existência humana por uma mulher, uma médica que e o vê esperando ao lado do um homem em cirurgia, esperando para levar ele para seu destino divino. Filme tem nota 6.7 no IMDB:

Menções honrossas:

8mm-Oito Milímetros (1999)

Filme no mínimo perturbador que trata de assunto na época tabu, que era a prostituição de jovens atrizes que não obtém sucesso em Hollywood. Nota 6.5 no IMDB

 

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Felipe Teixeira Moraes:  Historiador, professor de história, músico, agnóstico, fã do Batman, Bruce Lee, Vegeta e Eric Hobsbawm. Ainda acho que sai de um buraco de minhoca e caí no século XXI, porque sou um amante incessante do passado e viveria nele sem reclamar como reclamo dos dias contemporâneos.

Welcome the jungle!

[opinião] A Encruzilhada (1986)

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O tempo já me tirou certa precisão do dia que recebi indicação deste filme. Em um dia impreciso, portanto, eu vagava pelo centro da cidade à procura de Lp’s, ainda que eu nunca tivesse sequer um tocador de bolachões. Tentando zelar pelas minhas poucas cifras, filtrei meu garimpo com uma seleção mais refinada, que agregou considerável dificuldade em minhas andanças.

Assim, defini que eu queria Lp’s que fossem exclusivamente de trilhas sonoras de filmes. Encontrei de tudo, obviamente, temas de novelas eram tantos que chegavam a se repetir, surrados e maltratados por capas que se desfaziam em pó, assimilei que o tempo também já havia desgastado o valor daquelas obras.

Não era fácil encontrar o que eu queria, e aí estava a graça. Depositada certa dificuldade, ganhei consequentemente mais emoção, apurei minha atenção à cada unidade que passava em meus dedos, e permiti maior descanso daquelas cifras em meu bolso.

Foi num sebo que me deparei com o exemplar que tento narrar a história que o encontrei, num canto menos gracioso quanto ao volume considerável de livros, que traziam em si sempre duas histórias, aquela presa em seu recheio, e a das mãos e olhos que já haviam sido lhes depositados certa confiança.

Com pouco recurso, encorajei a pedir ajuda ao balconista, que eu achava que teria todo o trejeito daquele que nasceu para ser balconista de uma loja de sebo: muito silêncio, um olhar analítico a cada passo de seu cliente na loja, e um diálogo não disposto em ultrapassar as palavras cordiais de bom dia e obrigado.

Estava equivocado. Ao pedir conselho, que já supus ser uma quebra de protocolo, fui surpreendido com grande vontade em me ajudar. Talvez visse que eu perambulava meio sem rumo, ou estava tão incerto de minha escolha quanto um cachorro que cai de um caminhão de mudança. Eu devia apresentar em minha face um resumo muito fácil da minha situação, que ele deve ter me ajudado por piedade, talvez. Nunca saberei.

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Eu procurando vinil num sebo.

Informado meu interesse, percebi que o nobre ajudante inferiu certo reconhecimento na minha busca, e pude confirmar quando ele mostrou ter um gosto parecido com o meu. Logo entendi que aquele sebo era para ele como uma extensão de si próprio, pois vendia ali nada menos do que, veja só, tudo aquilo que não gostava ou gostava tanto que permitiu vender somente os exemplares duplicados.

Ao receber essa informação, vi que eu estava num sebo de segunda, e a primeira seria seu próprio acervo.

Conversamos um pouco, nos permitindo certo grau de concordância, e essa jornada me foi resumida com a indicação do vinil do filme A Encruzilhada, que em nome de minha preguiça só confiro por agora, passados tempos calculados em cifras anuais.

Gostei até certo ponto, não sei porque eu não o assisti em tempos passados, mas eu já sabia que ele iria me propor uma trilha sonora diferenciada, pautada pelo Blues e seu charme quase caipira, se é que isso existe. Com tons de crônica e certa magia, sua história me carregou em ritmo razoável para não fazer desistir, sem fortes emoções e com personagens simples até demais. Um passatempo agradável, melhor dizendo.

Fiquei com a sensação de que poderia ter encontrado melhor filme, ainda que eu tivesse entendido bem porque ele foi recomendado à mim. Comprei o disco, que jamais ouvi em sua saudosista mídia, mas entendi que de fato colocar a agulha sobre este exemplar e deixar rolar sua trilha sonora deve propor exatamente o sabor que eu procurava naquele dia.

NOTA 6.2/10

Ficha técnica:

País: EUA

Ano: 1986

Atores: Ralph Macchio, Joe Seneca

Diretor: Walter Hill

Duração: 1h39min

Título Original: Crossroads

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

Tava procurando texto de cultura? Achou, porra!

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Vou dividir uma angústia com você.

Ninguém sabe bem o que define algo engraçado, o humor é um terreno muito peculiar. O programa Choque de Cultura pareceu estranho para mim à primeira vista, entre momentos de nada para fazer eu me deparava com as recomendações automáticas do Youtube, com toda sua análise algorítmica do meu perfil e a análise do histórico de meus cliques.

Como muitas primeiras experiências nessa vida, o primeiro episódio assistido me causou certo desconforto, apesar de pouco complexo, me exigiram análise dos personagens, que se autodenominavam “maiores nomes do transporte alternativo”. Pô, o que pretendem com essa denominação?

Passados mais episódios consumidos pelo ócio do meu tempo, após entender a ideia do humor, não consegui conter algumas risadas pelo tom insano de comentários improváveis em qualquer outra plataforma humorística, e em pouco tempo eu já estava inserido no “universo” dos quatro personagens.

Rogerinho, Maurílio, Julinho e Renan, quatro retardados personagens e nada mais, que apresentam um programa sobre “cultura” e lá comentam sobre cinema, fundamentalmente.

Vamos direto ao ponto, o que me chamou muito a atenção. A ideia é desconstruir todo o garbo que pode existir num programa, site, blog, ou qualquer outra mídia, que se proponha a analisar de forma “séria” e “embasada” qualquer tipo de produto. A ideia mais brilhante do Choque de Cultura é desconstruir tudo isso de forma muito simples, inserindo quatro personagens com arquétipos reconhecidos como “pouco providos de cultura artística”, como qualquer um diria sobre aqueles que são motoristas de van, e a partir daí eles possuem um terreno gigantesco para falar besteiras em tom sério, como se tudo fosse de fato muito real.

Em outra camada, podemos facilmente entender que seus comentários são críticas à tanta gente que se denomina especialista em algo, mas que na verdade não domina o conteúdo e permite que outras pessoas ouçam ou leiam besteiras sem tamanho. Aqui no programa entendemos que é uma piada, mas subindo um nível podemos perceber que essa prática está muito presente em tempos de internet, todo mundo entende de cinema, série, literatura, música, política, e qualquer outro assunto com domínio profundo, e o resultado é o que todos vemos em debates calorosos e enriquecedores por aí.

O resultado é um programa nonsense, cheio de piadas internas, uma abrangência muito maior para o absurdo fazer sentido, nem que seja somente para aqueles personagens. O fato é que os personagens não querem nos fazer rir, por isso um dos pontos curiosos é que eles jamais riem entre si, pois nenhum comentário entre eles é encarado como piada, partem do princípio de que as opiniões de cada um são “embasadas e criteriosas”.

Um prato cheio do lado de cá, para quem assiste tanto comentário absurdo sobre os filmes que eles se propõem a analisar. Quem conhece um pouco de cinema, logo pega o humor negro e mais ácido do programa, como por exemplo as incontáveis reverências a Transformers e Velozes e Furiosos como as melhores franquias de filmes já feitas, ou então entendendo que cinema nada tem a ver com som ou figurino, ou então enaltecendo a grandiosa performance de Vin Diesel e The Rock, seus grandes ídolos.

Falo com tranquilidade.

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Claramente são atores.

Após assistir todo o conteúdo, comecei a reparar que algumas coisas faziam sentido para eu gostar do resultado do programa. Me identifico com a proposital falta de produção, tudo parece muito feio e mal feito, estúdio com pano preto ao fundo, apresentador que não comanda bem o programa, personagens que não falam nada direito, figurino altamente apropriado para uma festa brega anos oitenta.

Entendi também que aqueles eram nada menos do que roteiristas do programa Larica Total, que inclusive já foi comentado aqui no blog. A similaridade entre eles é clara, o humor muito parecido, e quem gosta de um produto, facilmente gostará de outro.

Não sei qual o seu perfil de humor, mas se eu pudesse deixar minha indicação à você, seria esta. Podes sentir algo estranho no começo, não entender a besteira toda, mas se as piadas fizerem sentido para você, será uma descoberta muito agradável. Talvez o leitor já os conheça, pois no ~mundo nerd~ os caras são a última sensação, mas deixo meu registro para os caras, afinal particularmente não é de qualquer coisa que eu saio rindo por aí, e quando percebo que me conquistaram de vez, me sinto obrigado a repassar a bola adiante.

Fica a dica forte.

NOTA 9.0/10

Ficha técnica:

País: Brasil

Canal: TV Quase

Ano: 2017-

Atores: Caito Mainier, Raul Chequer, Leandro Ramos e Daniel Furlan.

Diretor: Fernando Fraiha

Duração: ~7min

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

[opinião] Casa Comigo? (2010)

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Descontraído, não divertido. Humorado, não engraçado. Sentimental, não romântico. Bom, é mais ou menos por aí que correm as águas deste filme. Um rio calmo e manso, que não oferece perigo algum à quem nele se banha.

Certa vez um homem, que nunca se encorajava entrar no rio, surpreende o improvável e resolve experimentar um pouco. Uma água gostosa, ele disse. Uma diversão prazerosa, também resumiu. Ele estava agraciado, agradecido ao que o rio conseguiu lhe proporcionar, um momento de prazer que ele pouco se permitia ter, e carente de experiências maiores – e por assim dizer, melhores – sentenciou seu momento com um cardápio positivo do que viveu.

É mais ou menos assim, acredito eu, que podemos tentar fugir das palavras comuns pra conversar sobre a experiência deste filme. Este rapaz, claro, não tinha melhores experiências, não era, por assim dizer, um marujo, um vivente, um homem de lembranças. Ou então, concluo eu, era um bon vivant! Alguém que não se faz exigências, não compara, não critica, não minimiza, alguém que simplesmente curte.

Quero dizer, amigo leitor, que o filme corre nestas águas, com os adjetivos que propus ao fictício rio. Nele, insiro você. Ora, claro, não vou cometer o equívoco e a deselegância de lhe julgar, de fato não sei suas experiências de águas anteriores. Espero, porém, que já tenhas vivido ótimas aventuras, tenhas conhecido rios mais donos de si, fortes e capazes de curvar-se onde desejam, sem ser um rio tão óbvio e reto, onde você pudesse ver seu fim à uma distância consideravelmente grande, um rio que não se inova, não se exige, um rio morninho.

Acho que você está conseguindo me acompanhar.

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Num filme com este título, isso aqui nunca será spoiler.

É uma tentação mesmo arriscar-se no romance. Solo incerto e muitas vezes pouco fértil. Foram as experiências passadas que me fizeram ter medo do rio, ainda mais pelo seu nome, que do alto de meu preconceito – Casa Comigo? Putz já começou mal – me trouxeram até ele com saldo negativo. Começou bem mal, posso dizer. Considero que não estava nem exigente, bastava não me fazer entrar em água gelada e sem graça.

Não espere mesmo que eu entre na história para você, vim lhe trazer uma experiência diferente, vim quebrar o óbvio e mesmo que no final você possa não gostar do que lhe proponho em leitura, desejo ao menos te levar até lá, incerto, impreciso, improvável, assim inflamos nosso momento, fazemos estes poucos minutos serem mais incríveis, não é mesmo?

Espero que tenhas entendido, caro leitor, que a experiência é algo rico, tem em si uma aplicabilidade infinita, você procura boa experiência na comida, no esporte, numa viagem, na música, na leitura, na vida, e num filme, ora, que assim também seja! Esta experiência precisa ser relevante, menos do mesmo, é isso que lhe fará saldar em positivo o tempo que dedicou ao filme, e fará perceber o quanto o filme se dedicou à você.

NOTA 5.1/10

Ficha técnica:

País: EUA, Irlanda

Ano: 2010

Atores: Amy Adams, Matthew Goode

Diretor: Anand Tucker

Duração: 1h40min

Título Original: Leap Year

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

(crítica) Fargo, a genialidade a cada temporada.

Fargo é uma daquelas séries que não são comentadas nos ônibus, nos corredores das faculdades e nem é uma daquelas que existe uma pressão da sociedade para que você assista (estou nessa situação com “La casa de papel”). Se eu pudesse resumir Fargo em uma única frase, seria uma comédia trágica de erros.

Para quem nunca teve a chance de assistir, Fargo é baseado no filme de 1996, com o mesmo nome, que não assisti, e cada temporada é uma história diferente (uma das razões de Fargo não ser uma série, e sim uma minissérie), a unica semelhança com o filme, é que todos os eventos da série ocorrem em Minessota, o mais curioso de tudo é que a cidade de Fargo não fica em Minessota e sim na Dakota do Norte. No começo de cada episódio da série e também do filme, aparace a frase  “Esta é uma história real, os acontecimentos retratados aconteceram em Minnesota em ….., a pedido dos sobreviventes os nomes foram alterados, em respeito aos mortos, todo o resto foi relatado exatamente como ocorreu”, isso não é exatamente verdade, com exceção do filme, os eventos ocorridos na série são fictícios e não verídicos.

No começo do post eu citei que Fargo seria uma comédia dramática de erros, isso é seria a base para as três temporadas, são eventos dramáticos, onde por um momento você gosta dos personagens e em outros odeia ele, e no meio desse eventos que são sempre dramáticos, os fatos que levam a eles são cômicos e se desdobram na história que vai se construir a trama. Farei uma breve sinopse de cada temporada:

Primeira temporada (2014)

Um vendedor de seguros, bundão, já com uma certa idade, é debochado pelo valentão da escola onde estudou no ensino médio, onde também apanhava do mesmo valentão, ele decide tentar, mesmo depois de velho, colocar toda sua raiva guardada durante anos no seu punho e revidar , claro que não deu certo e tomou um belo direto no olho. Como consequência obvia vai parar no hospital e la conhece um homem que é um assassino de aluguel, o bundão não acredita na profissão do homem frio e cita que ele poderia matar o valentão que o havia surrado, dito e feito, o valentão é morto. O bundão então, desconfiado de que a morte do valentão da sua adolescência era sua culpa, se sente mal com a situação. Em uma noite avulsa, ele estava arrumando a maquina de lavar roupas, e ele além de bundão, tinha um irmão mais bem sucedido que ele, e uma esposa que o diminuía, citando como o fracasso da família, enquanto seu irmão era o sucesso. Na noite que ele estava arrumando a maquina de lavar, sua esposa começou a o criticar e voltando a falar de seu irmão, que segundo ela, era inclusive mais másculo que ele, sua reação foi pegar o martelo ao lado da maquina, e meter ele na cabeça de sua mulher, ocorrido o uxoricídio, o bundão liga desesperado para o assassino de aluguel que ele conheceu no hospital, para o ajudar a sair dessa.

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Segunda Temporada ( 2015) 

Um açougueiro de uma pequena cidade, sonha em comprar o açougue onde trabalha e ser o dono de seu próprio negócio, casado com uma bela mulher, que em uma noite aleatória, voltava sozinha para casa e no meio do caminho, estava em alta velocidade e atropela um homem aleatório na estrada,  no desespero do momento ela continua o trajeto até em casa e continua até chegar, lá faz a janta para seu marido, entretanto o homem não estava morto e aparece na cozinha cambaleando, cabendo ao açougueiro utilizar sua ferramente de todos os dias, uma faca de cortar carne, para acabar com o sofrimento agonizante do rapaz e deposita-lo em um freezer de carne. O único problema dessa história, é que o rapaz que foi atropelado e agora assassinado era herdeiro de uma das maiores gangues da região, que agora procuravam por ele, e aliás, antes de ele ser atropelado, ele fez um pequeno massacre em uma lanchonete de beira de estrada, matando inclusive uma juíza federal.

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Terceira Temporada (2017)

Dois irmãos, parecidos fisicamente, um bem sucedido empresário do ramo dos estacionamentos e outro um mal sucedido agente de condicional que namora uma de suas detentas em condicional, entre eles um remorso do passado: um selo, que foi deixado de herança pelo pai deles para o bem sucedido, que utilizou eles para iniciar seus negócios. O irmão que era agente de condicional sempre pedia dinheiro emprestado ao irmão empresário e ele sempre dava, até que uma vez ele se nega a emprestar, o irmão revoltado, utiliza um de seus detentos para ir roubar o ultimo selo que ele tinha na casa, o problema é que o no meu do caminho, o detento perde o papel onde anotou o endereço e tenta se lembrar, mas erra o caminho e acaba na casa da pessoa errada, que tinha o mesmo sobrenome dos irmãos, e acaba matando o homem que la morava, que alias, era padrasto da xerife da cidade. Só isso já dava uma bela comédia de erros, mas além disso, o irmão empresario bem sucedido, ao final de um ano com baixos ganhos, pegou dinheiro emprestado de uma empresa que não conhecia, e essa empresa, vamos dizer, apareceu na história.

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Continuando…

Como você pode ter visto pelas imagens, a série em todas temporadas tem bom elenco, na primeira temporada tem Martin Freeman como personagem principal, a segunda temporada tem Patrick Wilson, e na terceira tem Ewan McGregor. Além do bom elenco, a cada temporada a construção da trama é muito bem executada, as atuações são excelentes. A trilha sonora da série sempre acompanha o período do enredo e osmomentos corretos, o que engrandece a história.

Fargo é uma série que vale muito a pena assistir e realmente te deixa vibrado em saber onde que vai acabar, mesmo não sendo a mais popular de todas, é uma das melhores do momento, aliás, já está com a quarta temporada confirmada para 2019 e tem as três temporadas na Netflix

 

Nota: 5,0 (minha nota é de 0 a 5)

País: EUA

Ano: 2014, 2015 e 2017

Canal produtor: FX

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Felipe Teixeira Moraes:  Historiador, professor de história, músico, agnóstico, fã do Batman, Bruce Lee, Vegeta e Eric Hobsbawm. Ainda acho que sai de um buraco de minhoca e caí no século XXI, porque sou um amante incessante do passado e viveria nele sem reclamar como reclamo dos dias contemporâneos.

Welcome the jungle!

[opinião] Trama Fantasma (2017)

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Há vários elementos objetivos que são, digamos, mais possíveis de uma concordância no público. À exemplo, representações técnicas, atuações ótimas – como era de se esperar do elenco – assim como obviamente seu charme (não chique) empregado pela elegância de seu figurino, e até mesmo a trilha sonora minimalista, são pontos que, assim entendo, pontuam tecnicamente bem o filme.

Outros pontos, porém, estes subjetivos, podem divergir as sensações do público, pois precisam ser conquistados com relevância. Senti uma mistura de sensações neste quesito, nada estava muito bem definido para mim, demorei ou até nem consegui entender o que eu estava sentindo durante o filme, ou mesmo o que ele queria que eu sentisse.

Charmoso, elegante e bonito, são obviamente adjetivos certos para este filme de P. T. Anderson. Cabe dizer, porém, que esta pompa visual já é parte de outras obras do diretor, sempre apresentando um estilo cinematográfico agradável.

O personagem de Daniel Day-Lewis, um estilista excêntrico e genioso, ou mesmo mimado, é irritante com seu egoísmo aflorado, que invade a vida daqueles que vivem – ou deixam de viver – ao seu lado. A relação com o personagem central é um amontoado de sensações inquietantes. No início é místico e respeitoso, depois mostra um lado engraçado, e por fim resume-se à uma desagradável companhia em tela. Talvez possa ser percebido como um protagonista e antagonista ao mesmo tempo, ou melhor, à isso damos o nome de anti-herói. Só que após certo ponto eu torcia para seu fracasso.

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Só um ajustezinho aqui.

Não me apego nada à moda, o mundo estilista é quase tão desconhecido quanto comida tailandesa. Dito isso, eu precisava de algo maior pra me apegar. Acabei sem encontrar. Fiquei vislumbrando a beleza visual, quase que assistindo um quadro de Monet, que diga-se de passagem entendo tão bem quanto a comida tailandesa.

Eu não devia fazer isso, mas vou fazer. Pra você que não faz ideia do que o filme trata, é sobre um estilista renomado, rico solteirão por escolha – diz ele – mas depois entendemos que sua singularidade civil é resultado de uma incapacidade de conviver em harmonia com demais. Até que chega a personagem de Alma, que no filme desenvolve bem um personagem confrontante à canastrice de seu rival.

Como história, achei pouco interessante. Como filme, um pouco melhor. No balanço, um exercício compreensível pela experiência, uma fotografia muito bela, mas um desapego considerável para me manter afastado, desacreditando que eu e o filme possamos cruzar nossos caminhos novamente tão cedo.

NOTA 6.3/10

Ficha técnica:

País: EUA

Ano: 2017

Atores: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps

Diretor: Paul Thomas Anderson

Duração: 2h10min

Título Original: Phantom Thread

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

[opinião] Perfume – A História de um Assassino (2006)

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Não li o livro. Cheguei até o filme trazendo na bagagem referências de que o filme era interessante, que sempre ouvi desde o seu lançamento há mais de 10 anos. Acho que nunca tive coragem de dar o play neste tempo, ou tive mesmo muita preguiça de ver afinal o que ele tinha de bom pra me contar.

Gostei, alguns pontos me saltaram bastante à vista. Por exemplo, o personagem – ou no mínimo a interpretação dele -, me cativou o interesse pela sua jornada pois ele estava ao mesmo tempo muito perto de mim, afinal o filme é facilmente compreensível pois é muito narrativo e tem um acompanhamento intenso em cada passo de Jean-Baptiste Grenouill, mas por outro lado ele também era distante para ser misterioso, com uma personalidade diferente e uma índole, vá lá, não das melhores. O estranho nos atrai.

Fatos fizeram eu me importar com a sua jornada. Além de pontos narrativos, me encantou muito o design de produção. Precisamos aprofundar nesse quesito, vamos lá. O filme se passa na França do século XVIII, lá por mil setecentos e bolinhas, e a ambientação convenceu com uma sensação prazerosa em sentir um cenário real da época, numa cidade envolvida em muita sujeira e fedor, como reza a fama histórica dos parisienses.

Mas como assim convenceu e era real? Pois é, você deve imaginar que nunca vivi no século XVIII, então minha base comparativa cai por terra. Estou julgando sem conhecimento mesmo, mas o que quero dizer é que o filme, como obra de ficção que é, me fez sentir uma sensação de realidade, um conforto visual que me ajudou a entrar muito no filme, e essa é a missão do design de produção que citei.

Seguindo a história, mas sem querer contar à você porque o filme está aí para isso, vamos entender o que o próprio filme promete desde o início. Tem perfume e tem assassino. O personagem tem uma espécie de superpoder, seu olfato é muito poderoso e isso lhe credencia a ser um cheirador especialista nas fragrâncias. Aprende as técnicas de perfumes com um profissional em decadência na cidade e o resto é sua arte.

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Silêncio… tem uma pessoa lendo nosso texto.

Não sei você, mas eu sempre tento entender o filme além do que ele é. Entender sinopse é básico, e tudo tem que ter um propósito muito maior para existência do filme. É nessa linha de pensamento que pra mim o filme busca narrar uma forma de poder. Poder do novo, do desconhecido, do cativante, do cheiro e perfume que transmite sensação de prazer. Pode parecer bobo, mas se interpretar o contexto da história, sua época, sua localidade e principalmente a condição de vida da época, que sabemos que eram desastrosas, isso se torna compreensível.

É por isso, portanto, que tudo desdobra-se à tentar glorificar o líquido extraído do perfume de mulheres assassinadas para somente ter seus cheiros comprimidos a um frasco de alguns mililitros. A vida reduzida à pouco, ou a fragrância transformada em muito.

Talvez pensando isso, seja possível entender o que a história quer dizer no final, onde fica claro a força do poder do personagem. Uma história lúdica que ainda que não tenha a capacidade de representar os cheiros milagrosos que narra, ao menos consegue, pelo menos para mim, mostrar um lado interessante e histórico do seu poder.

NOTA 8.1/10

Ficha técnica:

País: EUA

Ano: 2006

Atores: Ben Whishaw, Dustin Hoffmann

Diretor: Tom Tykwer

Duração: 2h27min

Título Original: Perfume: The Story of a Murderer

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

[opinião] Circle (2015)

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Foi por indicação que fiquei sabendo do filme, e foi por ociosidade que resolvi assistir. Eu já havia sido alertado por um amigo de que este não seria um filme ótimo, e sem maiores spoilers fui alertado das principais ideias dele.

A gente sempre quer ver filme bom, claro, mas sabemos que todo filme tem sua hora certa para assistir. Estava meio entediado, e não estava muito entusiasmado para algo que me fizesse pensar demais. Circle de fato não me fez pensar muito, mas potencializou o meu tédio.

Não é tarefa muito fácil qualificar os filmes, quer dizer, é fácil qualificar qualquer coisa, o difícil mesmo é ser assertivo e compreender bem a obra. O filme parte de uma ideia bem abstrata, é daqueles que não querem explicar muita coisa e te convidam para participar do jogo de adivinhação. Você já viu algum filme parecido com isso, então julgue pelas experiências anteriores se tens aptidão para o gênero, e decida se vale a pena arriscar. Se precisar de uma opinião, te dou a minha.

Chato, tedioso e preguiçoso. O filme inicia com 50 pessoas de estereótipos diversos numa sala, dormindo, e à medida que vão acordando começam a tentar entender como foram parar ali, e o que significa o suposto jogo que estão inseridos. Há cada minuto uma pessoa morre, e isso é o suficiente pro filme achar que já tem material para desenrolar sua história. Não, não tem.

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Insira uma legenda que desqualifique este filme.

O filme não tem protagonista, antagonista, nem curva dramática. Com muito esforço, entendemos que o interesse é a análise feita sobre a condição de sobrevivência das pessoas, os interesses pessoais para não morrer, as alianças, e o jogo sujo para julgar que os outros sempre podem morrer primeiro (como sugerem para iniciar as mortes com os velhos, e uma mulher curada do câncer).

Talvez o excesso de pessoas dividindo informações tenha prejudicado mais, é muita gente falando e opinando, parece muito mais uma dessas dinâmicas de grupo de empresas e faculdades, querendo ensinar como funciona a comunicação e as influências interpessoais, e querendo ensinar a importância do trabalho em grupo. Na boa, você acha que isso é interessante num filme?

Há vários filmes que partem da premissa básica de ausência de informações, que parecem que são preguiçosos, mas de fato não são. Cubo (1997), por exemplo, é a primeira e grande comparação, só que do lado que deu certo. Essa ideia de fazer mais com menos é arriscada, e dá grande chance para que o menos vire menos ainda. Pouco orçamento exige uma inspiração inversamente proporcional.

Necessário reforçar o grande esforço das 50 pessoas para incompetência dramática. Cara, uma pessoa do seu lado morre, e ninguém entra em desespero? Desespero é pânico, é agir fora da casinha, é gritar, e isso ninguém faz. Ninguém nem chora! Tanta coisa errada podia ser salva num bom final, mas ele também é pobre e sem sal. Bom, à essa altura, eu realmente seria surpreendido por material interessante.

NOTA 2.8/10

Ficha técnica:

País: EUA

Ano: 2015

Atores: 50 pessoas aleatórias.

Diretor: Aaron Hann, Mario Miscione

Duração: 1h27min

Título Original: Circle

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.

[opinião] O Centenário que Fugiu pela Janela e Desapareceu (2013)

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Meu interesse era encontrar um personagem diferente. O idoso centenário me parecia ser adequado para apresentar conteúdo suficientemente interessante. Não havia nada especial, não é porque era um idoso com algum arquétipo específico, me interessei porque simplesmente era um idoso. Simples assim.

Depositada a confiança num único personagem, ele contribuiu de certo modo positivo à expectativa, tinha interesses peculiares, motivações não convencionais para qualquer outro personagem de idade adulta. Sr. Allan, o centenário, tinha por exemplo um gosto peculiar por explosões, um modo diferente e até certo ponto compreensível de resolver alguns problemas, algo que descobrimos que ele já cultivava desde a juventude.

O filme se apresenta como um road-movie, parte da residência do excêntrico personagem, num dia de fuga pela janela do asilo bem no dia que completa um século de vida, como você já deve ter entendido no título, e parte em busca de… nada. Pensei que poderia ter alguma motivação interessante nessa fuga, ou para fugir, ou para onde chegar, mas não encontrei estas respostas.

Iniciada a aventura, as situações se desenrolam com humor regular, não é pastelão, mas também não é um humor britânico. Bom, melhor dizer que é um humor sueco mesmo, pois essa é uma definição verdadeira.

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Não aguento mais comer essa comida de idoso todo dia.

Imagino que você não veja tantos filmes de lá. Não conheço nada daquele povo, mas talvez seja pertinente lembrar que, assim como qualquer filme de qualquer país, ele sempre – destaque a palavra sempre – irá retratar o modo de vida daquela localidade. Sem querer partir para a sociologia, pelo menos nos cabe refletir que o povo sueco, assim como os demais países nórdicos são mais frios, mais organizados socialmente, entre tantas características que não vou ficar citando porque aqui não é aula de antropologia, o povo de lá tem alta expectativa de vida, média de idade alta. Local de velhos, pronto. Igual este filme e outros que existem por lá.

O filme é leve e seu humor é casual, é um somatório de situações improváveis, a não ser que por lá seja comum ter centenários, que fujam pela janela, que gostem de explodir coisas, que fujam de um asilo, roubem uma mala cheia de dinheiro, que tenham um elefante em casa, e que… ok, você já entendeu. Coisas improváveis como eu já tinha explicado, só quis exemplificar mesmo.

Cheio de flashbacks, este recurso me pareceu o menos interessante, durante todo o filme há saltos na história em vários pontos da vida do velho, e não me pareceu que a história tivesse tanta necessidade disso. Bom, como o destino dele era incerto, talvez a falta no desenrolar disso abriu espaço para querer mostrar quem o velho era antes de ser velho.

O destino disso tudo, sei lá, acho que foi mais interessante para o velho viver essa jornada aventuresca do que um prazer assim tão agradável para quem assistia.

NOTA 5.3

Ficha técnica:

País: Suécia, Dinamarca,

Ano: 2013

Atores: Robert Gustafsson, Mia Skäringer

Diretor: Felix Herngren

Duração: 1h54min

Título Original: Hundraåringen som klev ut genom fönstret och försvann

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Marco Miranda: É cinéfilo para si e nerd para os outros. Descobriu que o cinema era mais que entretenimento, e desde 2005 passou a colecionar filmes e se envolver sobre a sétima arte. A partir de 2010 uniu o cinema com seu gosto por escrever. Percebeu que entre uma partida de tênis e outra, podia ler, ouvir, assistir falar baboseiras. Graduado em Administração, tem o cinema como uma oportunidade de aliar algumas percepções técnicas e objetivas com um pouco de filosofia interpretativa. Acha que filme antigo é só até os anos 40. Ainda assim, adora um horror, do melhor ao pior, e aprecia filmes independentes e B, com a liberdade de expressão que ele mesmo acha que tem.